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    Stumbling on Happiness (O Que Nos Faz Felizes), de Daniel Gilbert
    24/08/2008 | comentários (2) / link permanente

    Stumbling on Happiness é um dos livros mais interessantes que li este ano. O autor é professor de psicologia de Harvard, e aborda um dos temas mais espinhosos das ciências humanas: a felicidade (ou, mais especificamente: por que é tão difícil definir, encontrar ou manter por perto esse monstrinho).

    É difícil falar dele sem entregar o conteúdo, mas uma coisa é importante: não se deixe enganar pelo título e apresentação da edição nacional - que remetem muito à idéia de auto-ajuda (rechaçada logo nas primeiras páginas) ou, pior ainda, de pseudociência. Passa ao largo: cada afirmação do autor é baseada em pesquisas sérias (e minuciosamente referenciadas), mas sem que isso torne o texto enfadonho ou de difícil acesso para não-acadêmicos.

    A comparação com Freakonomics (que também usa uma abordagem fortemente calcada na pesquisa para obter fatos inusitados, mas em outro setor) é inevitável - mas uma diferença fundamental é que este último atira para todo lado buscando constatações que desafiem o senso comum, enquanto que o livro do Gilbert tem um propósito muito claro: desnudar a relação entre a capacidade do homem de tecer consdierações sobre o futuro e a sua felicidade (ou infelicidade).

    Ele conduz magistralmente o leitor por meio deste propósito, chegando até a flertar com a idéia de ter um caminho para a tal busca da felicidade (o que é mais recurso didático/literário que qualquer outra coisa: embora a proposta seja muito simples, exige uma mudança intelectual que eu acredito que a maioria das pessoas jamais faria). De qualquer forma, é uma leitura muito agradável, que ao final te faz entender muito melhor uma série de coisas sobre o gênero humano - e só por isso eu já recomendo.

    (ah, não deixe de acessar o blog do autor: quem não leu o livro pode avaliar lá a qualidade do material que vai encontrar no livro - ligeiramente mais relaxado, mas ainda assim excelente - e quem já leu renova sua dose regular de brain candy sobre psicologia).



    Little Brother / Free Culture
    21/08/2008 | comentários (0) / link permanente

    Estou devendo comentários sobre inúmeros livros que andei lendo, e começo a pagar esta dívida resenhando dois no mesmo post:

    Little Brother é uma excelente obra de ficção de Cory Doctorow (um dos co-editores do popular Boing Boing), na qual um ataque terrorista em solo americano faz com que a população de uma cidade americana tenha suas liberdades civis ainda mais tolhidas do que já acontece hoje (por conta da suposta "guerra ao terror").

    Aos cidadãos só resta o uso da tecnologia para proteger sua privacidade e oferecer resistência ao estado orwelliano (evidente referência no título), e os jovens, que melhor a conhecem, lideram a reação.

    A narrativa é boa, mas o mérito mesmo é pelo retrato de dois universos: o dos jovens que cresceram já integrados à "vida digital"; e o do crescente estado de sítio que os republicanos insistem em impor aos EUA (e, por influência, ao resto do mundo).

    Ambos têm o seu grau de licença artística e uma pitada de exagero (de otimismo no primeiro caso, e de pessimismo no segundo), mas convencem: você começa o livro querendo jogar Harajuku Fun Madness, mas termina pesquisando maneiras de criptografar seu disco rígido.

    Free Culture, por sua vez, é não-ficção. O autor, Lawrence Lessig, é um professor de Direito de Stanford conhecido, entre outras coisas, por sua luta contra os abusos cometidos pelo establishment americano com base em leis carentes de atualização, tais como as de direitos autorais / copyright e as de telecomunicações.

    O livro aborda as delicadas relações comerciais e legais entre os produtores e os consumidores de cultura - sem deixar de fora os inúmeros intermediários, desnudando sua relevância ao longo da história,, mostrando (como diz o subtítulo, em tradução livre) "como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para trancafiar a cultura e controlar a criatividade". A atualidade e universalidade do tema é atestada pela constante discussão em torno do mesmo.

    A abordagem não é exatamente linear - num momento o livro traça um panorama histórico da variação das leis de propriedade, buscando uma definição mais apurada para termos como "pirataria" e "propriedade intelectual"; mas rapidamente passa para pormenores de jurisprudência americana envolvendo a indústria fonográfica ou mesmo para projeções de modelos de negócio para artistas - tudo com o objetivo de desbravar o mosaico que se tornou o assunto.

    A imparcialidade (que o tratamento acadêmico exige) equilibra bem o ativismo (em prol dos direitos do cidadão comum que corporações de mídia procuram minar), conseguindo um resultado bastante didático sem, no geral, se tornar enfadonho (e a não-linearidade permite que leitores interessados em pontos específicos cheguem diretamente a eles).

    Optei por falar dos dois de uma vez só não apenas por tratarem de temas correlatos (direitos e liberdades civis em uma sociedade que justapõe oligopólios e comunidades criativas), mas também porque ambos foram publicados sob licenças Creative Commons - que permitem não apenas a criação de trabalhos derivativos, como também a livre reprodução em diferentes mídias (facultando ao leitor a compra do livro de papel, ou, no caso do Little Brother, a opção de recompensar o autor de outra forma). Eu, por exemplo, pude ler no iPhone (via Books.app), e há versões em áudio, traduções coletivas, etc., tudo através de desenvolvimento comunitário - o que, por si só, já demonstra a relevância do assunto.

    Links úteis:



    Turma da Mônica Jovem (versão mangá)
    14/08/2008 | comentários (3) / link permanente

    Acabei de ler o número 1 (parece que rolou um número zero em alguns eventos) da versão "reloaded" da Turma da Mônica. E posso dizer que me surpreendeu positivamente.

    (eu, pessoalmente, sempre tive uma teoria de que a Tina era a versão adolescente da Mônica - que ficou gostosa pra contrariar; na mesma linha, o Rolo era o Cebolinha - cujo cabelo atrasado cresceu todo de uma vez; a Pipa era a Magali depois que aquela comida toda deu reação, etc... mas isso é outro assunto :-) )

    A arte é bacana, embora abuse um pouco das retículas (talvez seja uma crise de abstinência de cores). Não sei se são os mesmos artistas do estúdio tradicional (já que a MSP insiste em não creditar os artistas, uma prática anacrônica que nem mesmo a caquética Disney adota mais), mas já se percebia uma influência de mangá nas histórias infantis (acentuada na época em que migraram pra Panini, coincidência ou não). E historicamente a relação do Maurício com mangá vai longe, direto à amizade com Osamu "Astro Boy" Tezuka.

    O lado negativo é que eles se amarram demais em referências (especialmente tentando relacionar os elementos da história infantil com elementos mais atuais e/ou de mangá) e também no visual, em detrimento da história. Mas esse problema é comum em primeiras edições de mangás novos (onde 90% da "ação" é concentrada em explicar o enredo e os personagens), então eu esperaria para ver como se comportam as novas edições.

    Outro problema é que eles tentam abraçar a bandeira de "mangá", então elementos de todas as variantes (shoujo, shonen, etc.) aparecem, ficando um melê meio difícil de digerir. Mas também atribuo isso ao início, e faço crer que logo, logo o pessoal foca menos no formato e mais nas histórias.

    No geral é uma aposta interessante - que justamente por se manter paralela às histórias tradicionais permite abraçar públicos novos sem deixar de lado os leitores atuais. De qualquer forma, é melhor que outras tentativas malfadadas de modernizar a Turma da Mônica, como a introdução do Bloguinho ou da dupla "Prof. Spada e Dr. Spam" - essa última uma das maiores vergonhas alheias que eu já vi em qualquer mídia até hoje.



    Fazenda do Orson - as tiras perdidas
    10/08/2008 | comentários (0) / link permanente

    Quem assistiu ao desenho animado do Garfield deve se lembrar que ele era "dividido" com um outro grupo de personagens, a Fazenda do Orson (U. S. Acres no original). Já naquela época Garfield sofria da crise criativa que o tornou alvo de numerosas críticas (inspirando brincadeiras como o Garkov e o Garfield minus Garfield), o que tornava a atração secundária bem mais interessante que a principal.

    O que eu não sabia é que, assim como o Garfield, o Orson também tinha se originado numa tira - até tropeçar nesta série que reúne um conjunto bastante significativo dessas tiras, amplamente comentado e contextualizado. Não é nada que mude a vida de ninguém, mas vale porque a tira tinha bem mais profundidade que o desenho, e também para ver que o Jim Davis ainda teve um outlet criativo (ainda que questionado por gente de peso como Bill Watterson) antes de entrar em loop eterno.



    Programando para iPhone no Eee PC com Ubuntu
    10/08/2008 | comentários (0) / link permanente

    A combinação Eee PC + Ubuntu continua me surpreendendo positivamente: consegui compilar o iphone-dev toolchain, isto é, o kit de desenvolvimento da comunidade para o iPhone (não confundir com o da Apple, que é bacanudo, mas só roda em Macs e tem um mol de restrições).

    Eu já tinha feito isso no Mac. No Ubuntu foi até mais fácil, por conta deste roteiro, que torna fáceis passos enroscados como a transferência do sistema de arquivos do iPhone e a extração dos headers do XCode. Foi preciso fazer apenas umas poucas adaptações:

    • Quando fui compilar o odcctools, ele reclamou do parâmetro -Wno-long-double. Abri o config.status (gerado pelo configure), localizei e removi este parâmetro, e aí compilou de boa;
    • Em mais de um ponto, os scripts da receita de bolo usam o atalho ~, ex.: ~/iphone/MacOSX10.4u.sdk. Isso deu problema aqui, mas troquei pelo nome completo - no exemplo e no meu micro ficaria /home/chester/iphone/MacOSX10.4u.sdk. Isso aconteceu no install-headers e na compilação final do llvm

    O resultado final é um compilador que permitiu dar o build do EDGE Switch numa boa - a menos, claro, do meu makefile tosqueira, que tem n dependências de Mac, e isso só pra empacotar no formato do Installer. Mas isso eu arrumo fácil, o pior já foi.



    EDGE Switch
    08/08/2008 | comentários (0) / link permanente

    O EDGE Switch é um programa que desenvolvi para o iPhone com o objetivo de bloquear/liberar a conexão de dados da operadora (EDGE). Isso é necessário porque o sistema operacional da Apple assume que o seu plano de dados é generoso e usa esta conexão sem perguntar quando não encontra uma rede sem fio.

    Existem outras formas de bloquear esta conexão (Boss Prefs, alteração manual da configuração, etc.), mas nenhuma me atendia. As vantagens do EDGE Switch são:

    • Ele mostra o status (bloqueado/desbloqueado) no próprio ícone, na tela principal do iPhone;
    • Para mudar o estado, basta um toque no ícone, sem burocracia;
    • A configuração não se perde ao reiniciar.

    A grande desvantagem: ele reinicia o telefone para bloquear/liberar. Não é tão ruim assim (o reinício é rápido), mas se isso for um problema, talvez este software não seja para você.

    O código-fonte está disponível sob a licença GPL. Os ícones são mais um excelente trabalho do Felippo.


    Instalação, Uso e Remoção

    Para instalar, é preciso ter o iPhone liberado para instalar aplicativos de terceiros. No Installer, entre em "Sources" e adicione o meu repositório: http://chester.blog.br/iphone. Com isso o programa vai aparecer na categoria "Utilities".

    Depois de instalar ou atualizar o software, você verá o ícone amarelo. Clique uma vez nele, e o fone irá reiniciar, mostrando o ícone vermelho (EDGE bloqueado) ou o azul (EDGE liberado).

    Não é preciso entrar no programa para saber se o EDGE está bloqueado ou liberado - é só olhar o ícone (que reflete o estado em que o programa deixou o iPhone na última vez em que foi chamado).

    IMPORTANTE: Antes de remover o programa, certifique-se de que o EDGE está liberado (ícone azul). Se você remover com o EDGE desligado, vai ter que reinstalar pra ligar (ou remover manualmente).


    Funcionamento e Limitações

    O que o programa faz é automatizar o procedimento de entrar nos menus e invalidar/revalidar a configuração do EDGE (colocando ou retirando um "[off]" no final do endereço APN). A parte mais chata é que ele reinicia o telefone (porque eu não consegui fazer o iPhone reconhecer a mudança de outra forma - se alguém souber como, me fale ou altere no código-fonte).

    Ele foi testado com o firmware 1.1.4, e imagino que funcione em versões anteriores sem problemas (mas não testei). Também não foi testado ainda no 2.0, e não tenho certeza se funcionará (por conta das mudanças introduzidas para suportar conexões 3G). Procurei ser extremamente conservador ao editar o arquivo, abortando a operação ao primeiro sinal de diferenças com o que eu tenho no meu telefone, mas o uso é por sua conta e risco.


    Avisos Legais

    Ele foi feito para uso pessoal, e disponibilizado na esperança de que possa ser útil, mas SEM NENHUMA GARANTIA; sem uma garantia implicita de ADEQUAÇÂO a qualquer MERCADO ou APLICAÇÃO EM PARTICULAR. Em particular não me responsabilizo se ele não tiver o efeito desejado, ou apresentar qualquer incompatibilidade com o seu aparelho ou sistema operacional. Veja a Licença Pública Geral GNU para maiores detalhes.

    Este programa é um software livre; você pode redistribui-lo e/ou modifica-lo dentro dos termos da Licença Pública Geral GNU como publicada pela Fundação do Software Livre (FSF); na versão 3 da Licença, ou (na sua opnião) qualquer versão.



    Adeus, Bitchmaps
    03/08/2008 | comentários (0) / link permanente

    Num misto de brincadeira e experiência coloquei no ar o Bitchmaps - com o auxílio da inestimável e indescritível FrogLicking. A repercussão foi incrível, e o objetivo de pesquisar e demonstrar a construção de uma aplicação de captura e tagging de endereços físicos em Ruby on Rails foi mais do que cumprido.

    Infelizmente eu não tenho tempo ou proximidade com o meio para dar continuidade ao site, o que me deixou duas escolhas: matar a criança ou passar a bola para alguém que saiba chutar pro gol. E foi o que eu fiz: a partir de hoje, o site está sob nova direção, e eu não tenho mais ligação com o mesmo.

    Farewell, Bitchmaps. Você vai pro mundo, e eu volto pra prancheta. Vamos ver o que sai.



    Eee PC 900 + Ubuntu = :-)
    20/07/2008 | comentários (5) / link permanente

    Cansado de ir e vir com o MacBook do trabalho - sendo que em casa o meu uso é bem comedido - acabei comprando um mini-mini-mini-notebook, o ASUS Eee PC 900, e estou muito satisfeito com a maquininha - comprei por R$ 1350 na galeria da Rua Aurora, 249 - loja 29, com nota fiscal e garantia de 1 ano do fabricante (também dá pra encontrar no MercadoLivre).

    Além do preço, os maiores atrativos foram o peso (pouco menos de 1KG) e o tamanho reduzido. Ele não "rouba" como, por exemplo, o primeiro PS2 Slim ou o Amiga 600 (que eram minúsculos, mas tinham fontes externas gigantes): a fonte é mínima, uma das menores que eu já vi em notebooks.

    Claro que esta miniaturização toda tem um preço: é preciso um tempinho para se acostumar com o teclado (nada que não se resolva plugando um teclado USB - que custa duas jujubas hoje em dia - quando rolar trabalho pesado). O mais importante é a tela de 7" das gerações anteriores foi substituida por uma de 9" no 900 - e apesar da resolução pouco convencional de 1024x600, funciona bem. E dá pra conviver muito bem com 1GB de RAM e o processador de 900Mhz se você não pegar muito pesado.

    Um item que pouca gente presta atenção é que, assim como o badalado MacBook Air, o Eee não tem disco rígido - ao invés dele, ele usa um SSD (Solid-State Drive), que é, grosso modo, como um pendrive interno. O meu modelo 900 veio com dois SSDs: um de 4GB na placa-mãe e outro de 16GB - ambos internos. Com boa vontade é possível substituir este de 16GB (assim como é possível subir a RAM para 2GB), mas um conveniente slot SD permite adicionar cartões de memória sem ficar nada pendurado.

    O que eu não curti foi o XandrOS, o Linux que vem instalado nele. Ubuntu ao resgate, pensei. Minha primeira tentativa foi instalar o Ubuntu 8.04 padrão, já que tem dúzias de guias na web pra fazer isso. O ideal é usar um drive de CD ou DVD plugado na USB, bootar o Ubuntu (pressione ESC quando aparecer a tela da ASUS pra escolher o dispositivo de boot) e seguir o processo normal.

    Quem não tem um desses (como eu) tem que sambar um pouco mais. Decidi que o mais saudável seria dar boot do instalador a partir de um cartão de SD (aproveitando o slot mencionado acima). Por R$ 99 eu comprei um SD de 4GB (na Fnac, que era o que tinha perto de casa), que depois da brincadeira ainda serve pra aumentar um pouco mais a capacidade do micro.

    Existem várias maneiras de colocar o instalador no cartão. A primeira que deu certo pra mim foi a dica do Universo Bolha. Uma das maiores vantagens dela é que você copia a ISO direto para o cartão (o que vai ser útil se você precisar instalar outra versão, como eu precisei), com duas adaptações:


    1. O link dos três arquivos lá é para o Ubuntu 7 - o do 8 é esse;

    2. Se o XandrOS tem um GRUB instalado e disponível, está bem escondido - eu tive que instalar o GRUB no segundo SSD, usando o Terminal (Ctrl+Shift+T) e o grub-install. Em seguida usei o ESC no boot para selecionar este SSD e lá eu dei os comandos do artigo.


    Fazendo tudo direitinho, entra a instalação em modo texto (não se assuste, são as mesmas perguntas da versão gráfica). No final você tem o Ubuntu instalado e funcionando - ao menos parcialmente.

    Por exemplo, ele entra em 800x600, distorcendo a tela. O WiFi não funciona (e a rede com fio só depois de tirar e recolocar a bateria). Tem um script que alega resolver os problemas, mas pra mim ele consertou algumas coisas e quebrou outras. Não curti, e passei para o plano B: o Ubuntu Eee, essencialmente um Ubuntu pré-ajustado para o hardware do Eee.

    Eu tinha um certo pé atrás com isso, mas através do UNetbootin (que eu não consegui rodar a partir do XandrOS porque ele é desatualizado demais, faltam as bibliotecas mais essenciais) foi possível dar boot diretamente do SD. E cinco minutos de Live SD (nos quais o Wifi, a resolução e o som rolaram de prima) foram suficientes para clicar no Install e torná-lo meu sistema default.

    Ainda tem um ou outro quirk pra resolver (ex.: quando ele volta do sleep o som desaparece), mas no geral tudo funciona. Só de farra, instalei o Java 6 e o Eclipse 3.4, e funciona!

    Um detalhe importante: o drive SSD é bem mais rápido que um HD tradicional, mas tem uma desvantagem: cada um dos blocos do disco suporta um número limitado (embora alto) de gravações. Dessa forma, o ideal é reduzir ao máximo as escritas no disco para maximizar a vida útil do drive. Outro lance que você tem que levar em conta é que são duas unidades (4GB e 16GB), que você quer aproveitar ao máximo.

    Na prática, Isso significa que você não deve aceitar o esquema padrão de particionamento sugerido durante a instalação do Ubuntu (que assume que você tem um unico HD "normal" e que vai reservar uma pequena parte dele para swap, i.e., para usar como memória quando esta faltar). Ao invés disso, a minha sugestão é formatar os dois SSDs, cada um com uma só partição. Monte o sistema de arquivos raiz (/) no primeiro SSD e o /home na segunda.

    Dessa forma os seus documentos, músicas, pornografia, etc., terão todo o segundo HD para usar, e você ainda pode reinstalar o sistema operacional sem perder as suas coisas. O instalador vai falar que não é uma boa ir sem uma partição de swap, mas você está com ele ou comigo? Falando sério: o swap não vai te ajudar muito - e diminuirá a vida útil de parte do seu SSD à toa.

    Outra coisa: ao formatar, use o sistema de arquivos ext2, e não o ext3 (que a instalação também sugere). Este último tem um lance (journaling) que aumenta muito a tolerância a falhas, mas também aumenta a quantidade de escrita no disco - e você já sabe que isso é ruim.

    Com esses ajustes, o Eee PC 900 se torna um micro muito decente. Cheguei a brincar com ele na loja rodando Windows XP - até dá jogo, mas eu já superei essa coisa de Windows na minha vida. Em qualquer caso é um computador bacana, e eu recomendo.




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